Às vezes, lembro-me de quando era pequena, da admiração que eu tinha pelos meus pais, o medo que eu tinha de os perder.
Perdi a minha mãe, entretanto.
Lembro-me de a ver chorar, quando o cancro parecia ter ido embora. Hoje entendo o medo que ela sentia, a consciência que tinha da sua vida correr perigo.
Graças a Deus ainda tenho o meu pai.
Sempre foi um homem forte, cheio de vontade de construir coisas, “de deixar coisas aos filhos”.
Tenho o meu pai como um exemplo de homem, de marido, de pai, de ser humano.
Hoje, custa-me olhar para ele e vê-lo envelhecer, a voz a enrouquecer, a fragilidade emocional.
Sei que ele, tal como eu, ainda sente a falta da minha mãe. É uma dor que se acalma com o passar do tempo, mas continua viva em cada célula do nosso ser.
Com o passar do tempo, todos ficamos mais atentos aos outros, aos momentos, a cada pessoa da nossa vida, a cada toque, cada cuidado, cada palavra, cada gesto.
Vejo nos seus olhos um vazio que nao consegui preencher. Nao é o meu lugar. Ocupo outro, o de filha que o adora, que o admira e lhe reconhece uma grandiosidade sem limites.










