De acordo com o Dr. Joe Dispenza, cientista, médico e autor de “Como se Tornar Sobre-Humano”, as emoções são reações químicas provocadas por experiências passadas e ficam registadas tanto no cérebro como no corpo. Quando enfrentamos uma situação que percecionamos como ameaça, o sistema nervoso simpático é ativado, desencadeando uma série de respostas fisiológicas de sobrevivência: as pupilas dilatam-se, o batimento cardíaco e a respiração aceleram, o corpo liberta glicose para gerar energia, e o sangue é desviado para os músculos, preparando-nos para lutar ou fugir.
Durante este processo, o corpo liberta duas hormonas principais do stress: adrenalina, que aumenta o estado de alerta, e cortisol, que mobiliza energia e inibe funções menos urgentes, como a digestão ou o crescimento celular. Inicialmente, até o sistema imunitário é estimulado, mas com o tempo, sob stress crónico, começa a enfraquecer. Esta resposta biológica deveria durar apenas algumas horas, mas, nos humanos, o pensamento contínuo em eventos passados ou antecipação de futuros negativos pode manter esta resposta ativa por longos períodos, prejudicando a saúde e esgotando o corpo.
Ao recordar mentalmente um acontecimento traumático ou negativo, o cérebro ativa os mesmos circuitos neuronais da experiência original. O corpo, por sua vez, reage quimicamente da mesma forma, como se o evento estivesse a acontecer novamente. Esta repetição cria um estado emocional contínuo, onde ficamos biologicamente presos ao passado.
A memória forma-se quando o cérebro deteta uma mudança química significativa no corpo. Essa alteração chama a atenção do cérebro para o ambiente exterior e regista os estímulos associados — como imagens, cheiros, locais ou pessoas — fixando-os neurologicamente como uma memória duradoura. Assim, cada memória é composta por um registo neuronal (imagem, som, ambiente) e um registo químico (emoção associada), que fica armazenado no corpo. Quanto mais intensa a emoção, mais profundamente a memória é gravada.
Este ciclo — pensamento → emoção → mais pensamento → mais emoção — condiciona a forma como nos sentimos e pensamos todos os dias. Ao acordarmos, voltamos a ativar essas memórias emocionais do passado, o que nos leva a comportar-nos da mesma maneira, a fazer as mesmas escolhas e a criar as mesmas experiências. Isso torna a vida altamente previsível, pois passamos a viver com base em programas automáticos, repetitivos e inconscientes. O corpo torna-se a mente, funcionando em piloto automático.
Segundo Dispenza, esta repetição contínua de emoções e pensamentos cria um campo eletromagnético específico à volta do nosso corpo. Pensamentos geram impulsos elétricos no cérebro, e emoções provocam respostas químicas que se traduzem em energia magnética. Juntos, formam um campo eletromagnético mensurável — ou seja, o nosso estado de ser emite uma vibração energética constante, que transmite informação ao mundo e atrai experiências semelhantes. Se mantivermos sempre o mesmo estado emocional, estaremos a emitir a mesma energia, a criar a mesma realidade, e a atrair continuamente um futuro idêntico ao passado.
Este ciclo só se quebra quando mudamos o nosso estado interior. Para isso, é necessário redirecionar a atenção — deixando de a fixar no passado ou num futuro previsível — e começar a criar novas experiências internas através de pensamentos conscientes e emoções elevadas, como amor, gratidão, compaixão, alegria, inspiração e liberdade. Estas emoções positivas ativam genes benéficos, que produzem proteínas saudáveis capazes de curar e restaurar o corpo.
Uma ferramenta fundamental para esta mudança é a meditação com intenção clara e emoção elevada. Ao visualizarmos o futuro desejado com emoção genuína, o corpo acredita que essa realidade já está a acontecer, libertando substâncias químicas associadas à cura e ao bem-estar. Como o corpo não distingue o real do imaginado, começa a adaptar-se quimicamente à nova realidade. Com persistência, novas ligações neurais são criadas, os hábitos mentais e emocionais mudam, e o sistema nervoso autónomo (que regula funções como digestão, batimentos cardíacos, temperatura e secreção hormonal) começa a operar em equilíbrio.
Em suma, segundo Dr. Joe Dispenza, ao mudar os nossos pensamentos, sentimentos e hábitos, mudamos a nossa energia, a nossa biologia e, consequentemente, a nossa vida. O primeiro passo para essa transformação passa por abandonar o passado emocional e criar, de forma consciente, um novo futuro.
“Pessoas que praticam meditação são mais equilibradas emocionalmente, mais saudáveis fisicamente, mais fortes mentalmente, mais alinhadas energeticamente e mais realizadas espiritualmente.” (Amanda Dreher)
Sugestão de leitura:
https://www.almedina.net/como-se-tornar-sobre-humano-1621006149.html
Sugestão para esta semana: Meditação para Viver o Agora (10 minutos)
Para iniciar esta semana de forma consciente e serena, proponho-lhe uma prática simples de meditação com a duração de apenas dez minutos — ou mais, se já tiver o hábito.
O objetivo é enganar a mente, desviando-a dos pensamentos repetitivos do passado ou das antecipações do futuro, para se ancorar no poder do momento presente.
Preparação
- Escolha um lugar tranquilo, onde saiba que não será incomodado durante alguns minutos.
- Sente-se confortavelmente: pode ser numa cadeira, na cama ou no chão — o importante é manter a coluna direita, mas sem tensão.
- Coloque as palmas das mãos viradas para cima, apoiadas sobre as coxas.
- Feche os olhos suavemente.
Respiração Consciente
- Faça agora cinco respirações profundas:
- Inspire lentamente pelo nariz, contando até 5.
- Retenha o ar nos pulmões, contando até 6.
- Expire suavemente pela boca, contando até 7.
- Com cada expiração, permita que o seu corpo relaxe um pouco mais.
Estado de Presença
- Não precisa visualizar nada nem procurar entender o que está a acontecer. Apenas esteja.
- Sinta o seu corpo: o contacto com a cadeira, os pés no chão, a temperatura do ambiente, os sons ao seu redor.
- Imagine uma onda de relaxamento a percorrer todo o corpo:
- Solte os ombros.
- Relaxe os músculos do estômago.
- Suavize os músculos do rosto.
- Deixe as mãos e as pernas repousarem sem esforço.
Atenção aos Pensamentos
- Se surgir algum pensamento — e é natural que surja —, não lute contra ele.
- Em vez disso, traga suavemente a atenção de volta à respiração:
- Observe o ar a entrar pelas narinas, a descer pela garganta, a encher o peito… e a sair novamente.
- Se precisar de um ponto de ancoragem, repita mentalmente: “Não estou no passado, nem no futuro. Estou no agora.”
Regresso ao Momento
- Quando sentir que é o momento certo, traga lentamente a sua consciência de volta à sala.
- Mexa ligeiramente os dedos das mãos, os pés… respire fundo.
- E quando estiver pronto, abra os olhos.
Pratique esta meditação diariamente, mesmo que por poucos minutos. Com o tempo, o seu corpo aprenderá a reconhecer o estado de presença e a desligar-se dos padrões automáticos do passado. É no agora que a transformação começa.









