Autoimagem

Há algum tempo li o livro Psico-Cibernética, de Maxwell Maltz – um cirurgião plástico que se interessou profundamente pela psicologia da autoimagem. Nele, Maltz revela a enorme influência que a imagem que fazemos de nós mesmos exerce sobre o nosso comportamento, as nossas escolhas e o nosso futuro.

Segundo o autor, a autoimagem é construída, em grande parte, de forma inconsciente, a partir de experiências passadas, sucessos e fracassos, e principalmente pelas impressões deixadas na infância. Muitas vezes, quando vivemos situações de humilhação ou rejeição, criamos crenças negativas sobre nós mesmos. Essas crenças, uma vez incorporadas à nossa autoimagem, passam a ser aceites como verdades absolutas e guiam o nosso comportamento de forma automática.

Assim, a pessoa que se vê como fracassada acabará, invariavelmente, por encontrar meios que confirmam essa crença, apesar de todos os seus esforços; quem se percebe como vítima atrairá constantemente circunstâncias que reforçam essa visão; uma jovem que acredita ninguém gostar dela, com a sua expressão desolada e ansiedade em agradar, acaba por despertar a rejeição; assim como, o vendedor que inconscientemente acredita não ser capaz de superar certo limite de vendas, confirmará essa limitação na própria realidade.

A autoimagem, portanto, é o alicerce de toda a personalidade, do comportamento e das circunstâncias que atraímos para a vida. Criamos um círculo vicioso ou virtuoso: se a imagem que temos de nós é negativa, reforçamos fracassos; se é positiva, abrimos espaço para conquistas.

Maltz observou na sua prática, que a cirurgia plástica, por si só, não resolvia os problemas de autoestima de muitos pacientes. Mesmo corrigindo cicatrizes, imperfeições no nariz ou orelhas proeminentes, alguns indivíduos permaneciam inseguros e infelizes. Curiosamente, havia também aqueles que buscavam corrigir algo inexistente, apenas porque acreditavam ter um defeito. Isso mostrou que a raiz do problema não está apenas no físico, mas na imagem mental que cada um carrega de si mesmo.

Todos nós desejamos mais felicidade, sucesso e paz de espírito. Quando vivemos com confiança, alegria e autoestima, sentimos a vida fluir. Por outro lado, quando nos condenamos, alimentamos o medo e sufocamos nossos talentos, limitamos o que poderíamos realizar. Dentro de nós, no entanto, existe um instinto vital que sempre trabalha a favor da saúde, da realização e da plenitude.

A cibernética trouxe evidências de que a mente subconsciente funciona como um Mecanismo Criativo de busca de objetivos – opera automaticamente para nos conduzir ao sucesso ou ao fracasso, de acordo com as imagens que escolhemos alimentar. O cérebro e o sistema nervoso são como um sistema de orientação: guiam-nos em direção às imagens que cultivamos na mente, sejam conscientes ou profundamente arraigadas no inconsciente.

Quando pensamos em algo, imediatamente criamos uma imagem mental. É com base nessas imagens que o nosso Mecanismo Criativo trabalha. Por isso, a nossa autoimagem define os limites do que acreditamos ser possível. Se fornecemos informações negativas a esse mecanismo de “não sou capaz”, “não mereço”, “sou inferior”, ele processará esses dados como válidos e produzirá experiências que confirmam essas crenças.

A boa notícia é que podemos reprogramar esse Mecanismo, transformando-o em um aliado para o sucesso. O método envolve aprender, praticar e experimentar novos hábitos de pensar, imaginar e agir, até consolidar uma autoimagem mais saudável e realista. Isso faz-se por meio da repetição consistente e do uso da imaginação criativa: visualizar conquistas, simular novas atitudes e incorporar novos padrões de reação.

Visualizar não é mais difícil do que lembrar-se de um episódio passado ou imaginar preocupações futuras; do mesmo modo, adotar novos hábitos mentais é como aprender a atar os sapatos de uma forma diferente: no começo exige atenção, mas depois torna-se natural.

Por isso, permita-se acreditar que até mesmo uma vitória pequena já pode iniciar a transformação do seu padrão interior.

Cada lembrança positiva fortalece a sua autoimagem e reprograma o seu mecanismo criativo, conduzindo-o naturalmente a uma vida de mais confiança, realização e felicidade.

Exercício para esta semana:

Todos os dias, reserve cinco minutos em um local tranquilo. Respire profundamente algumas vezes, feche os olhos e relaxe. Em seguida, recorde momentos em que obteve algum sucesso – por mais simples que pareça: escrever o nome pela primeira vez, aprender a dar um nó de gravata, dirigir um carro, dar uma caminhada…

Reviva essas memórias, sinta a alegria e o orgulho daquele instante. Permita-se mergulhar na sensação de capacidade e valor pessoal.

 

Sugestão de leitura:

https://www.wook.pt/livro/psico-cibernetica-maxwell-maltz/30495481?srsltid=AfmBOop34pJv_8Huw9_VotAIGZQlF8DuGuV-tb6YLuAKnAcI004fUIp4

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