Sinto-me profundamente inspirada a partilhar convosco, ao longo de dois artigos, os resultados de uma investigação realizada pela Dra. Kelly A. Turner, que analisou diversos casos de remissão radical do cancro em pessoas que adotaram uma abordagem holística para a sua saúde. A Dra. Kelly A. Turner é investigadora e conferencista na área da Oncologia Integrativa e, durante a sua dissertação de doutoramento, entrevistou 20 pessoas que conseguiram alcançar a remissão radical do cancro.
Para contextualizar, a remissão radical é diferente da remissão convencional, pois se refere a casos de remissão que são estatisticamente inesperados, com base no tipo de cancro, no seu estádio e no tratamento médico tradicional. Ou seja, ocorre quando o cancro desaparece sem o uso de medicamentos convencionais, ou quando uma pessoa não entra em remissão com os tratamentos convencionais, mas consegue alcançá-la através de métodos alternativos, ou ainda, ao combinar tratamentos convencionais com abordagens alternativas, superando um prognóstico grave.
Embora as remissões radicais sejam raras, há milhares de pessoas em todo o mundo que experienciaram este fenómeno. A Dra. Kelly A. Turner dedicou 10 meses a entrevistar mais de 50 terapeutas não convencionais de diferentes países – como Estados Unidos, Havai, China, Japão, Nova Zelândia, Tailândia, Índia, Inglaterra, Zâmbia, Zimbábue e Brasil – para explorar abordagens alternativas ao cancro. Além disso, realizou mais de 100 entrevistas e analisou mais de mil relatos de casos de remissão radical. Através de uma análise minuciosa e repetitiva, utilizando métodos qualitativos de investigação, a Dra. Turner identificou mais de 75 fatores que, teoricamente, poderiam desempenhar um papel na remissão radical, incluindo fatores físicos, emocionais e espirituais. No entanto, ao registar a frequência com que estes fatores se manifestavam, constatou que nove deles se destacavam, surgindo com frequência em quase todas as entrevistas.
Os nove fatores chave consistem em mudar radicalmente a alimentação, controlar a sua saúde, seguir a sua intuição, utilizar ervas e suplementos, libertar emoções reprimidas, aumentar as emoções positivas, aceitar o apoio dos outros, aprofundar a sua ligação espiritual, ter razoes fortes para viver.
Neste artigo, tratarei apenas dos quatro primeiros – mudar radicalmente a sua alimentação, controlar a sua saúde, seguir a sua intuição e utilizar ervas e suplementos – sendo que os restantes cinco fatores chave, tratarei no próximo artigo.
1.º – Mudança Radical na Alimentação – A alimentação como medicamento. Os sobreviventes de remissão radical alteraram profundamente as suas dietas, reduzindo ou eliminando o consumo de açúcar, carne, laticínios e alimentos refinados. Aumentaram a ingestão de vegetais, frutas, alimentos orgânicos e beberam água filtrada. A Dra. Turner destaca que as células cancerígenas consomem entre 10 a 50 vezes mais glicose do que as células normais, e alimentos como batatas e pães refinados também contribuem para esse consumo excessivo. Além disso, os laticínios foram reduzidos, pois contêm hormonas e proteínas que estimulam o crescimento celular. A carne, especialmente a vermelha, tem sido associada a vários tipos de cancro, e os aditivos em carnes, como hormonas e antibióticos, também são preocupantes. Alimentos processados, como pães e massas refinadas, têm um índice glicémico elevado, o que contribui para níveis elevados de glicose e insulina, fatores frequentemente associados ao cancro. Em contrapartida, os grãos integrais, como arroz castanho, quinoa e aveia, são mais nutritivos e têm sido relacionados à redução do risco de cancro. Quanto aos vegetais, no combate ao cancro, vencem os bróculos, couve-flor, cebola, alho, cebolinho e bagas escuras.
Além da ingestão de alimentos orgânicos, um jejum ou uma limpeza breve, pode ajudar a acelerar a desintoxicação de pesticidas, metais pesados e outras toxinas do organismo. Alguns sobreviventes praticaram jejum gradual, com dias específicos de desintoxicação, por exemplo, uma vez por mês, ou uma vez por semana, utilizando sumo de melancia e cenoura, um caldo de vegetais, batidos de fibra, ervas e vitaminas ou sumo de vegetais suplementados com fibras de casca de psílio, a cada quatro a seis horas para controlar os acessos de fome. Muitos dos terapeutas entrevistados enfatizaram a importância da água como um curador natural, capaz de eliminar toxinas e fornecer hidratação vital às células. A água filtrada é preferida por remover impurezas como cloro, flúor e metais pesados, comuns na água da torneira. Pode ser utilizado um jarro com filtro ou sistema de filtragem de água.
2.º – Controlar a sua saúde – Os terapeutas alternativos acreditam que o corpo é uma unidade que integra o físico, emocional e espiritual, e que o paciente deve ter um papel ativo na sua cura. A verdadeira cura vem de dentro, quando o paciente está disposto a fazer mudanças significativas na sua vida e lidar com a resistência emocional à mudança. A visão alternativa do cancro vê a doença como um reflexo de desequilíbrios que precisam ser corrigidos através de ações conscientes e integradas.
3.º – Seguir a intuição – Os sobreviventes de remissão radical acreditam que o corpo possui um conhecimento inato sobre o que precisa para se curar. O uso de medicina energética, como o BodyTalk, que utiliza cinesiologia energética e monitorização muscular, ajuda a localizar as raízes dos problemas no corpo e a libertar essas energias bloqueadas. O cancro, segundo esta perspetiva, é uma mensagem de que algo no corpo e na vida não está alinhado. Ao contrário de uma infeção causada por uma bactéria, o cancro pode ter várias causas e por isso, encontrar uma única cura, pode não ser realista. O processo de cura envolve não só o físico, mas também o emocional e espiritual. A cura profunda exige uma mudança radical que abrange a vida em múltiplos níveis, aumentando a alegria e a conexão com o espírito. A intuição pode manifestar-se de várias formas, como uma voz interior ou uma sensação física, e aceder a essa sabedoria interna pode ser crucial para a cura. Embora não haja muita investigação especifica sobre a intuição, os investigadores fizeram importantes descobertas:
A primeira foi que os humanos parecem ter dois sistemas operativos diferentes; o sistema um, é a forma rápida e instintiva de operar e é controlado pelo lado direito do cérebro, conhecido como “parte límbica” ou “reptiliana”; o sistema dois, é a maneira mais lenta, mais analítica e consciente de operar e é controlado pelo lado esquerdo do cérebro, conhecido como o “neocórtex”. Os investigadores, descobriram que a intuição faz parte do sistema um e muitas vezes não faz sentido, racionalmente falando.
A segunda descoberta foi que existem mais de cem milhões de neurónios no trato intestinal humano e que este “segundo cérebro” consegue agir independentemente do primeiro, o que quer dizer que o aparelho digestivo pode decidir deixar de fazer a digestão e enviar uma súbita e intuitiva pontada de aviso, sem qualquer contributo do cérebro. As pessoas, por vezes, sentem pontadas de ansiedade no estômago, estando relacionado com a intuição, uma vez que é essa a forma que o corpo tem de avisar que não se trata de uma situação saudável. Mas porque é que devemos confiar no instinto que nos vem das entranhas? Porque os investigadores descobriram que o sistema um sabe muitas vezes a resposta certa, bem antes do sistema dois. Isto acontece porque a intuição, opera a partir da parte do nosso cérebro que se desenvolveu numa altura em que os perigos eram iminentes, como tigres escondidos atrás de arbustos, ou qualquer outra situação ameaçadora. Esta parte do cérebro tornou-se extremamente competente a pressentir o perigo iminente, bem como os locais seguros. Contudo, porque a maioria das pessoas, hoje, vive uma existência diária relativamente segura, essa parte do cérebro não é solicitada muitas vezes, e quando é, a nossa falta de familiarização com ela, leva-nos a ignorar as suas mensagens.
A medicina tradicional chinesa, com o sistema de meridianos, acredita que o tumor é simplesmente o acumular de energia presa no corpo, de tal maneira que pode ser registada numa tomografia por emissão de positrões, o que a medicina alopática ocidental não tem maneira de descrever, por isso a descrição habitual, é de “um tumor”, ou “massa”. Muito abaixo do nível das células, bactérias e vírus, somos todos feitos de biliões de átomos que estão na realidade todos a vibrar, a nível atómico. Usar uma técnica de cura através de energia, pode de facto mudar a vibração dos nossos átomos o suficiente para levar a uma mudança substancial nas nossas células. Acredita-se que existe um campo energético vibratório, tanto dentro como fora do corpo físico, chamado “corpo energético”. A energia em si, chama-se “chi” ou “prana”. Uma vez que a energia está dentro do corpo, usa-se um sistema de centros (chakras) e vias (meridianos) para fazer circular a energia pelo corpo físico e mantê-lo assim a funcionar de forma saudável. Para a maioria dos terapeutas alternativos, os pensamentos e emoções existem primeiro no corpo energético. Mas dado que o corpo energético, também penetra no corpo físico, acredita-se que os pensamentos e emoções repetitivos podem acabar por conduzir a doenças. O corpo energético organiza o corpo físico com base em pensamentos ou emoções que, ou se movem, ou estão bloqueados. Logo, enquanto as emoções e pensamentos são positivos e estão a fluir, o corpo físico está em maior equilíbrio. Por outro lado, se os pensamentos forem de baixa frequência, ou emoções de baixa frequência, a energia tende a ficar bloqueada no campo energético. Se nada for feito, esses padrões que bloquearam a energia, são deslocados para cada vez mais próximo do corpo físico – a doença.
4.º – Utilizar ervas e suplementos – Os suplementos podem fortalecer o sistema imunitário e ajudar o corpo a eliminar as células cancerígenas, mas devem ser acompanhados de mudanças no estilo de vida e na dieta. Estudos indicam que compostos como o galato de epigalocatequina (EGCG) do chá verde, o cogumelo “rabo de peru”, e a vitamina C têm propriedades que combatem o cancro. A cúrcuma e os probióticos também são mencionados como auxiliares na ativação do sistema imunitário.
Esses fatores, em conjunto, proporcionaram aos pacientes uma abordagem holística e integrada que foi essencial para alcançar a remissão radical do cancro. Embora a investigação da Dra. Turner mostre que não existe uma única solução mágica, ela destaca a importância de cada um desses fatores como parte de um processo complexo e individual de cura.
Em suma:
- Melhore a sua alimentação, um passo de cada vez:
- Reduza gradualmente o consumo de doces, carne, laticínios e alimentos refinados.
- Substitua por alternativas mais saudáveis como gelado de coco, quinoa, feijões ou leite de cânhamo.
- Inclua sempre pelo menos um vegetal e uma fruta em cada refeição.
- Dê prioridade a alimentos orgânicos, especialmente maçãs, aipo, tomates e cogumelos (absorvem mais pesticidas).
- Comece o dia com água filtrada e sumo de limão para ajudar a desintoxicar o organismo.
- Torne-se o principal guardião da sua saúde:
- Escolha um médico que o escute e respeite as suas dúvidas.
- Informe-se: leia e investigue temas relacionados com saúde.
- Reflita sobre o seu estado físico, emocional e espiritual – escreva e identifique o que pode ser melhorado.
- Tenha um parceiro de responsabilidade – alguém que o apoie e o ajude a manter-se no caminho certo.
- Desligue-se para se reconectar:
- Reserve tempo diário para relaxar e acalmar a mente – sem ecrãs ou distrações.
- Explore práticas que acedem ao seu lado intuitivo e emocional:
- Imaginação guiada (por exemplo de Belleruth Naparstek e Martin Rossman), meditação, escrita em diário ou análise de sonhos.
- Para usar os sonhos como ferramenta para aceder à sua intuição, escreva uma pergunta antes de dormir e registe tudo o que se lembrar ao acordar.
- Apoie o corpo com suplementos naturais:
- Digestão:
- Enzimas digestivas (como proteolíticas e as enzimas pancreáticas), pré e probióticos (ou chá de kombucha).
- Desintoxicação:
- Antifúngicos (folha de oliveira, cavalinha, urtiga).
- Antiparasitários (nogueira preta, absinto, hidraste).
- Antibacterianos/antivirais (alho, óleo de orégãos, pau d’arco).
- Suporte hepático (cardo mariano, raiz de dente-de-leão, alcaçuz).
- Sistema imunitário:
- Estimulantes naturais (aloé vera, vitamina C, cogumelos medicinais, óleo de peixe, oligoelementos).
- Vitaminas e hormonas essenciais (B12, D ou exposição solar – e melatonina).
- Digestão:
5.º Libertar Emoções Reprimidas
No seguimento do artigo anterior, “Contra Todas as Probabilidades: Como a Medicina Alternativa Inspirou a Remissão Radical”, abordamos agora o quinto elemento identificado pelos sobreviventes da remissão radical do cancro: a libertação de emoções reprimidas.
Segundo estes sobreviventes, a doença representa um bloqueio do ser humano nos níveis físico, emocional ou espiritual, e a verdadeira saúde só é alcançada quando há movimento e fluidez entre estas dimensões. Assim, para além de remover o tumor físico, é essencial eliminar também a causa emocional ou energética que o originou, prevenindo o seu reaparecimento.
Todos produzimos células cancerígenas diariamente; o sistema imunitário é o responsável por detetá-las e eliminá-las. Contudo, quando este sistema está enfraquecido — ou quando as células malignas conseguem esconder-se através de mecanismos químicos — as células cancerígenas acumulam-se e formam tumores. A gestão emocional é, por isso, essencial para restaurar o equilíbrio do corpo e da mente.
As emoções reprimidas — positivas ou negativas — são vistas como bloqueios que impedem a livre circulação de energia. Emoções negativas como o medo, o stress, a ira ou a tristeza são as mais comuns, mas até a felicidade pode tornar-se nociva quando está presa ao passado, transformando-se em nostalgia. Qualquer emoção não processada pode, assim, provocar desequilíbrios no sistema corpo–mente–espírito.
A ciência reconhece que o stress enfraquece o sistema imunitário, interferindo com a produção de neuropeptídeos, substâncias químicas que transportam informação entre células. Neuropeptídeos como a serotonina e a dopamina têm um efeito benéfico, enquanto o cortisol e a adrenalina, libertados em situações prolongadas de stress, fragilizam o organismo. Dado que quase todas as células do corpo produzem e recebem estes mensageiros químicos, conclui-se que a mente e o corpo estão profundamente interligados: as emoções afetam literalmente o funcionamento celular.
As mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia e pela renovação celular, também são afetadas. Estudos dos doutores Warburg e Kobayashi sugerem que o cancro resulta de mitocôndrias danificadas, que deixam de utilizar o oxigénio como fonte de energia e passam a alimentar-se de glicose, tornando-se imortais. O Dr. Kobayashi propõe que o recalcamento emocional é uma das causas dessa disfunção, defendendo tratamentos que combinam aumento da temperatura corporal com terapias de libertação emocional, para restaurar o equilíbrio celular.
A gestão do stress tem mostrado resultados comprovados: libertar emoções como o medo ou a raiva fortalece o sistema imunitário. O medo é, aliás, a emoção mais frequentemente identificada pelos sobreviventes como necessária a ser libertada. A terapeuta Patti Conklin aconselha os doentes a aceitar a incerteza, a fazer as pazes com a vida e com a morte e a cultivar um estado de neutralidade emocional, no qual corpo, mente e espírito se realinham. Permanecer no medo mantém o organismo no modo “lutar ou fugir”, impedindo o modo “descansar e reparar”, essencial para a cura.
O segredo, portanto, não é evitar as emoções, mas permitir que fluam livremente, como ondas do mar. Devem ser vividas, sentidas e libertadas, sem permanecer presas ao passado.
Exercícios Práticos para Libertar Emoções Reprimidas:
- Escrita terapêutica: mantenha um diário durante duas semanas, registando emoções positivas e negativas; depois, releia, reviva e queime as notas como ato simbólico de libertação.
- Pratique o perdão diário: perdoe alguém — ou a si próprio — por pequenas ou grandes falhas.
- Gestão de stress: frequente programas de oito semanas, como o Mindfulness-para redução do stress, que integra meditação e respiração consciente.
- Procure apoio terapêutico: um psicoterapeuta ou terapeuta energético pode ajudar (ex.: Cinesiologia Energética, BodyTalk).
- Experimente técnicas de hipnose ou EMDR: métodos que ajudam a reprocessar memórias e emoções bloqueadas.
A libertação emocional não significa viver sem sentir, mas permitir que cada emoção cumpra o seu ciclo natural. Ao fazê-lo, o corpo retoma o seu equilíbrio biológico e energético, fortalecendo o sistema imunitário e promovendo um terreno interno mais favorável à cura e à saúde duradoura.
6º – Aumentar as Emoções Positivas
O sexto elemento identificado pelos sobreviventes da remissão radical do cancro é o aumento das emoções positivas. Segundo estes testemunhos e a investigação científica recente, o segredo de uma boa vida pode, de facto, resumir-se a uma palavra simples: felicidade. Quando nos sentimos felizes e afetuosos, o corpo físico enche-se de células imunitárias ativas, a mente liberta-se do stress e da preocupação, e as nossas relações pessoais e profissionais tornam-se mais saudáveis. Libertar emoções reprimidas, como vimos anteriormente, é essencial, mas aumentar as emoções positivas é o passo seguinte para consolidar o equilíbrio físico, emocional e espiritual. As emoções que os sobreviventes procuram experienciar diariamente são a felicidade, a alegria e o amor — amor por si próprios, pela vida, pelos outros e, de forma mais ampla, um amor incondicional e espiritual, sem separação entre o “eu” e o “outro”.
A ciência confirma que há uma ligação direta entre mente e corpo: as crenças e emoções geram descargas hormonais que influenciam o funcionamento das células. O medo e o stress ativam o modo de “luta ou fuga”, libertando cortisol e adrenalina, enquanto o amor e a alegria libertam hormonas curativas como a serotonina, a dopamina, a oxitocina e as endorfinas. Estas substâncias reduzem a tensão arterial e o ritmo cardíaco, aumentam a oxigenação, melhoram a circulação e estimulam a atividade do sistema imunitário — incluindo as células NK, que ajudam a combater o cancro.
A terapeuta havaiana Murali defende que enviar sentimentos de amor para as células doentes pode favorecer a sua regeneração e restaurar o seu estado saudável natural. Este exercício mental e emocional estimula a produção de endorfinas, reduz a inflamação e reforça a ação das células imunitárias em torno das células danificadas.
A felicidade deve ser cultivada diariamente, mesmo que, no início, seja necessário um esforço consciente. Pequenos gestos — ver uma comédia, caminhar, conversar com alguém querido ou praticar ioga — ajudam a desligar do medo e a reconectar-nos com a alegria. Contudo, é importante reconhecer que as emoções negativas também são válidas. Ignorá-las ou mascará-las com uma falsa positividade apenas cria novas camadas de tensão e culpa. A verdadeira saúde emocional resulta de sentir plenamente todas as emoções e libertá-las com consciência.
Receita para a Diversão e a Felicidade Diária:
- Comece o dia com gratidão: sorria, veja algo que o faça rir ou escreva cinco coisas pelas quais está grato.
- Modere a exposição às notícias: consuma-as apenas quando se sentir equilibrado emocionalmente.
- Escolha entretenimento leve: troque dramas e notícias negativas por comédias e conteúdos inspiradores.
- Cultive relações positivas: passe mais tempo com pessoas que o energizam e menos com quem o desgasta.
- Seja ativo e criativo: caminhe na natureza, dance, cante, cozinhe, fotografe ou ofereça algo a alguém — pelo menos três vezes por semana.
- Reveja o seu dia: antes de dormir, pergunte-se: “Tive hoje, pelo menos, um momento de felicidade?”
A felicidade não é um estado permanente, mas uma prática diária de abertura emocional e de conexão com a vida. Aumentar as emoções positivas fortalece o sistema imunitário, equilibra o corpo e a mente, e cria o ambiente interno ideal para a cura e o bem-estar duradouro.
7.º – Aceitar o Apoio dos Outros
O sétimo elemento identificado pelos sobreviventes da remissão radical é aceitar o apoio dos outros. Os seres humanos são, por natureza, criaturas sociais. Desde o nascimento, dependemos do cuidado e da ligação emocional para sobreviver — um bebé humano é um dos mamíferos mais vulneráveis e necessita da mãe durante vários anos para garantir a sua sobrevivência.
Essa necessidade de apoio não desaparece com a idade — torna-se ainda mais vital quando estamos doentes. Estar rodeado de pessoas que nos amam, amigos, familiares ou até de um animal de estimação, tem um efeito direto e mensurável sobre o corpo. O sentimento de ser amado e apoiado liberta hormonas benéficas, como a oxitocina e a dopamina, que reduzem o stress, aliviam a dor, melhoram o humor e fortalecem o sistema imunitário.
O contacto físico é especialmente poderoso: abraçar, dar a mão, acariciar, colocar um braço sobre os ombros ou receber uma massagem contribuem para reduzir a ansiedade e aumentar o bem-estar físico e emocional. Para quem está acamado ou com dores, o toque humano regular é uma parte essencial do processo de cura. E, se não houver uma relação próxima disponível, um animal de estimação pode desempenhar um papel semelhante, oferecendo companhia, afeto e conforto.
Aceitar apoio é também um ato de humildade e autocuidado. Muitos doentes têm tendência a isolar-se ou a evitar pedir ajuda, por vergonha ou medo de incomodar. No entanto, permitir que os outros participem no processo de recuperação é uma forma de abrir espaço à cura emocional e física, fortalecendo a ligação humana que sustenta a saúde.
Passos Práticos para Cultivar o Apoio Social:
- Contacte alguém: telefone a um amigo ou familiar apenas para saber como está — este simples gesto cria laços e aquece o coração de ambos.
- Participe em atividades de grupo: inscreva-se num ginásio, numa aula de grupo, num curso de fotografia, num clube de caminhadas ou de bridge.
- Peça ajuda sem receio: admitir que precisa de apoio é um sinal de força, não de fraqueza.
- Planeie momentos de convívio: combine um dia de lazer com familiares ou amigos — pode ser um evento desportivo, uma refeição tranquila ou uma tarde de spa.
- Considere o poder do toque e da ternura: abrace mais, mime-se e aceite gestos de carinho — fazem parte do tratamento natural do corpo e da alma.
Aceitar o apoio dos outros não é um sinal de dependência, mas de humanidade. A ligação emocional e o afeto partilhado ativam mecanismos biológicos que fortalecem o sistema imunitário e promovem a recuperação. Curar não é um ato solitário — é um processo que se torna mais leve, profundo e transformador quando é vivido em comunhão com os outros.
8.º – Aprofundar a Ligação Espiritual
A espiritualidade é talvez o elemento mais sensível e, simultaneamente, um dos mais transformadores na remissão radical do cancro. Falar de cura espiritual pode gerar desconforto, pois o termo assume significados diferentes conforme as crenças de cada pessoa. Contudo, neste contexto, espiritualidade não se refere necessariamente à religião, mas sim à ligação a uma energia superior, interior ou universal, que muitos chamam “Deus”, “alma”, “energia vital”, “chi” ou “prana”.
Os sobreviventes descrevem esta energia espiritual como uma sensação de calor, calma e amor incondicional que percorre o corpo e a mente, trazendo uma profunda paz interior. Essa ligação pode surgir através de meditação, oração, ioga, corrida, caminhadas na natureza ou qualquer prática que leve ao silêncio interior. O importante não é o método, mas a prática diária dessa conexão, que renova a energia e promove bem-estar físico e emocional.
Vivemos numa sociedade que valoriza a independência e a individualidade, mas as tradições espirituais de todo o mundo recordam-nos que somos todos interligados e feitos da mesma energia essencial. Reconhecer essa unidade é um passo decisivo para recuperar o equilíbrio e sentir-se parte de algo maior.
Silenciar a Mente: o Caminho para a Ligação Interior
O primeiro passo para aprofundar a ligação espiritual é acalmar a mente. Quando os pensamentos cessam, a energia espiritual pode fluir livremente. É por isso que tantas práticas espirituais — da meditação à oração — ensinam formas de observar, desacelerar e libertar o fluxo mental.
A ciência tem confirmado os benefícios físicos e neurológicos destas práticas. Estudos mostram que a meditação regular:
- Aumenta os níveis de melatonina, uma hormona essencial ao sono e à regeneração celular, frequentemente em défice em doentes oncológicos;
- Reduz a densidade das áreas cerebrais associadas ao stress e à ansiedade, e aumenta as ligadas à empatia e à memória;
- Reforça o sistema imunitário, potenciando a produção de anticorpos;
- Estimula a telomerase, enzima associada à longevidade celular e à prevenção do envelhecimento precoce.
A investigação em epigenética vai ainda mais longe: mostra que o nosso comportamento pode influenciar a expressão dos genes. Embora não possamos escolher os genes herdados, podemos, através de práticas como a meditação, alimentação saudável e exercício, “desligar” genes prejudiciais e ativar os protetores. Assim, mesmo quem carrega predisposições genéticas para o cancro pode, através do seu estilo de vida e prática espiritual, modular positivamente a sua biologia.
Práticas Simples para Reforçar a Ligação Espiritual:
- Respiração profunda: feche os olhos e respire lentamente dez vezes, sentindo o abdómen expandir-se e contrair-se.
- Caminhar com atenção plena: dê um passeio de dez minutos sem distrações, apenas observando o que o rodeia e repetindo mentalmente “sou grato por…” a cada inspiração.
- Imagética guiada: utilize gravações que orientam a mente através de imagens calmas e curativas.
- Meditação guiada: pratique com mestres reconhecidos, como Jon Kabat-Zinn ou Eckhart Tolle.
- Oração diária: reserve cinco minutos por dia para rezar em silêncio, focando-se na paz e na gratidão.
Os Efeitos Físicos da Conexão Espiritual
Quando a mente se aquieta e a energia espiritual flui, o corpo responde com mudanças fisiológicas mensuráveis: libertação de hormonas benéficas pelas glândulas pineal e pituitária, melhor oxigenação e circulação sanguínea, redução da tensão arterial, melhor digestão e desintoxicação, e reforço do sistema imunitário. Além disso, há evidências de que esta prática ajuda a desativar genes nocivos e a fortalecer os processos de regeneração celular.
Aprofundar a ligação espiritual não exige adesão a uma religião, mas sim uma prática de escuta interior e reconexão com algo maior do que o “eu”. Este estado de serenidade e unidade — seja alcançado pela meditação, oração ou contemplação da natureza — cura, equilibra e transforma. Ao nutrir o espírito, o corpo encontra o ambiente ideal para a regeneração e a cura profunda.
9.º – Ter Razões Fortes para Viver: O Nono Elemento na Remissão Radical do Cancro
O último elemento identificado pelos sobreviventes da remissão radical do cancro é ter razões fortes para viver. Este princípio parte da ideia de que a mente conduz o corpo — e não o contrário. Na perspetiva da medicina integrativa e das tradições orientais, quando temos um propósito claro e entusiasmo pela vida, convidamos o “chi”, ou energia vital, a fluir livremente pelo corpo. Pelo contrário, quando perdemos a esperança ou deixamos de encontrar sentido na existência, essa energia diminui, enfraquecendo o organismo e a vontade de viver.
Ter razões fortes para viver não é negar a possibilidade da morte, mas escolher concentrar-se no que ainda motiva e inspira a viver. É cultivar diariamente um sentido de propósito, um motivo para acordar de manhã com gratidão e determinação.
Os sobreviventes relatam que, ao reencontrarem uma paixão, uma missão ou uma meta — seja a família, um projeto criativo, o voluntariado ou a espiritualidade —, o corpo responde com vitalidade renovada, reforçando o sistema imunitário e melhorando o bem-estar global.
Passos Práticos para Cultivar o Propósito de Viver:
- Defina a sua longevidade desejada: escreva o número de anos que gostaria de viver e coloque-o num local visível, como o espelho. Estudos com centenários mostram que muitos tinham uma convicção profunda de que viveriam longamente, o que parece ter influenciado positivamente a sua saúde e longevidade.
- Faça uma lista de motivos para viver: escreva todas as razões — grandes e pequenas — pelas quais quer continuar a viver. Faça este exercício num momento em que se sinta bem e inspirado.
- Experimente o exercício do “chamamento interior”, adaptado de Rick Jarrow (The Ultimate Anti-Career Guide – The Inner Path to Finding Your Work in the World):
- Passo 1: Imagine que possui riqueza ilimitada, saúde perfeita e sucesso garantido em tudo o que empreenda. Escreva o que faria com a sua vida — incluindo relações, carreira, lazer e comunidade.
- Passo 2: Noutro dia, imagine que, independentemente da sua situação atual, tem apenas um ano de vida. Escreva como escolheria passar esse tempo e o que consideraria verdadeiramente essencial.
- Passo 3: Envie um email para answer@radicalremission.com para receber uma explicação de como as suas respostas a estes cenários se relacionam com o seu chamamento mais profundo
Encontrar e alimentar razões fortes para viver é uma poderosa forma de cura. O entusiasmo, o amor, a curiosidade e o propósito despertam energia vital, reforçam o sistema imunitário e inspiram o corpo a regenerar-se.
Mais do que prolongar a vida, trata-se de viver com significado — de preencher cada dia com aquilo que faz o coração vibrar. Quando a mente se compromete com a vida, o corpo responde com força, equilíbrio e vontade de continuar.
Sugestão de leitura:
https://www.wook.pt/livro/remissao-radical-dra-kelly-a-turner/15968277









